Em meio ao avanço da Inteligência Artificial (IA) e à crescente demanda por capacidade computacional, a 27ª edição do Workshop RNP (WRNP) apresentou, em seu primeiro dia, uma iniciativa voltada à ampliação da infraestrutura de HPC (Computação de Alto Desempenho) e IA para instituições de ensino e pesquisa do país. A proposta apresentada pela RNP prevê a criação de uma infraestrutura federada de processamento em nuvem com GPUs, integrando centros nacionais de computação e reduzindo a dependência de plataformas comerciais internacionais.

“A motivação da RNP é democratizar o acesso a esse tipo de infraestrutura, atendendo de forma ágil a comunidade acadêmica e startups. Isso permite desenvolver projetos maiores e reduzir a dependência de serviços de big techs, que têm custo elevado”, explicou José Rezende, assessor acadêmico e científico da Diretoria de PD&I da RNP, durante o painel  “Infraestrutura Federada de HPC/IA”.

Michelle Wangham, diretora-adjunta de PD&I da RNP, apresentou algumas das soluções previstas para o acesso aos recursos computacionais, como um portal unificado e sistemas de autorização federada. Ela também destacou iniciativas internacionais que serviram de inspiração para a operacionalização do projeto.

“Os recursos estarão presentes para o usuário em um portal como uma vitrine. A autorização federada é importante para que o usuário não precise ter uma conta separada em cada instituição, facilitando o acesso. Esse portal único é um grande desafio devido à diversidade de atributos e políticas de autorização. Nossa ideia é começar a construção usando um pouco do que a comunidade internacional já desenvolveu”, afirmou.

Já Antônio Tadeu, pesquisador do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), fez um panorama do Sistema Nacional de Processamento de Alto Desempenho (Sinapad), criado para atender demandas de ensino e pesquisa em computação de alto desempenho.

Empreendedorismo na universidade

O painel O Papel da Universidade Empreendedora no Desenvolvimento de Tecnologias Nacionais debateu como universidades e institutos de pesquisa têm estruturado ambientes de “universidades empreendedoras”, com iniciativas como incubadoras e parques tecnológicos. Fabrício Campos, pró-reitor de Inovação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), destacou quatro pilares para enfrentar os desafios da inovação tecnológica: universidades estimulando inovação e empreendedorismo; empresas investindo em novos negócios; governo atuando como regulador e articulador de políticas públicas; e a sociedade demandando e consumindo novas soluções.

“Se estamos discutindo a universidade como um centro de inovação, os outros atores também precisam cumprir um papel importantíssimo. Se essas parcerias acontecerem de forma coordenada, vamos fechar esse grande ciclo”, ressaltou.

O gerente de Negócios do Senai-Cimatec, André Dantas, apresentou iniciativas voltadas à formação de alunos com perfil empreendedor ao longo da graduação.

“Nesse modelo, o principal foco é trabalhar em cima do mindset do empreendedor ao longo da trajetória. Na graduação, desde o segundo ao quarto semestre já são trabalhadas algumas trilhas que ajudam a identificar problemas de mercado”, explicou.

Encerrando o primeiro dia do evento, Lisandro Granville, diretor-geral da RNP, apresentou um panorama das ações da organização em 2025 e 2026, além das perspectivas para os próximos anos.

“Vou falar de duas ações principais para o futuro. Uma é a estratégia de IA da RNP. Ela é dividida em três pilares: habilitadora, negócio e administrativa. E outra é a fase 2 do Conecta, o programa que transformou nosso dia a dia nos últimos anos. O que temos são extensões do que era a fase 1 e as novidades, como a nuvem para o pesquisador. Serão ações em áreas como educação, saúde, cultura e agro”, destacou o diretor-geral da RNP.

Iniciativas em destaque

Enquanto o palco principal do WRNP concentrava debates técnicos e estratégicos, o palco Inova trouxe projetos desenvolvidos pela RNP em áreas como telecomunicações, blockchain e saúde digital. Os resultados mais recentes do Projeto Ilíada, iniciativa que busca fomentar um ecossistema nacional de blockchain, foram uma das atrações.

O público também acompanhou um panorama da terceira fase do OpenRAN@Brasil, que prevê a expansão do ambiente de testes da tecnologia para diferentes regiões do país. O programa visa ampliar a interoperabilidade entre equipamentos de telecomunicações, reduzindo a dependência de um único fabricante.

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